terça-feira, 30 de julho de 2013

O Monte Meru




"Sumeru é o centro polar de um complexo tipo mandala  de mares e montanhas. A base quadrada de Sumeru está rodeada por um mar em forma de um fosso quadrado, que é por sua vez rodeado por um anel (ou melhor, quadrado) mural de montanhas, que é por sua vez rodeado por um mar, cada um diminuindo em largura e  altura dos que estão mais perto de Sumeru. Há sete mares e sete montanha-paredes circundantes, até que um vem para o vasto mar exterior que forma a maior parte da superfície do mundo, em que os continentes conhecidos são apenas pequenas ilhas. O mundo conhecido, que é no continente Ilha de Jambo (Terra) , está diretamente sul de Sumeru." - in "Livro Amarelo da Loucura"


Madrugada de 1993





segunda-feira, 29 de julho de 2013

Transmissão

"...ele chegou...marmelada...corremos durante dias...os clarões cessaram...,guindastes e gruas...as vacas sorriram...caminho agora..."

Primeiro Contaco

Estávamos algures perto de Barstow, à beira do deserto, quando as drogas começaram a fazer efeito. Lembro que dizer algo como; “Estou meio tonto; acho melhor tu conduzires...” De repente fomos cercados por um rugido terrível,  o céu encheu-se de estática, ouvi frases perdidas no tempo e vi espíritos medonhos que gritavam  e desciam em direcção ao nosso carro que ia a 180 km/h em direcção a Las Vegas. Ouvi uma voz a gritar; “Santo Jesus! Quem são estes anormais ?”

Então o silêncio voltou, o meu colega, o advogado, tinha-se posto completamente nu, virava se para mim e repetia constantemente; “Fodasse, eu vi isso pinguim!”,  olhou me com a sua cara peculiar coberta com uns óculos de sol de um estilo completamente ultrapassado, e riu-se. Respondi-lhe; “Oh… caga nisso” o pobre bastardo não tinha percebido o que se tinha passado. 

Breves momentos depois vimos um gafanhoto pedir boleia, decidi ignora-lo (as estradas são um perigo nestes tempos) mas o meu colega disse “Porra, vamos dar boleia a este pobre diabo”. Carreguei no travão a fundo, as bebidas que estavam na parte de trás do carro espalharam-se pelo couro dos sofás.
“Para onde vais?” Perguntei eu a aquele estranho insecto. “Para Ugol. Vou para Ugol.” Respondeu-me. “Ugol?! Onde é isso?”, A minha estupidez era pior que a minha curiosidade. “Apenas vai, eu explico-te pelo caminho” dizia enquanto se molhava no assento traseiro. “Um tipo estranho pensei.”, Mais um daqueles alucinados cujas drogas parecem surtir um efeito deveras peculiar.

O meu colega virou-se para trás, estava agora com uma estranha escova de dentes na mão e gritava-lhe bem alto (pobre coitado, as drogas fazem no ficar meio surdo) ;“QUE BIGODE É ESSE ? ÉS ALGUMA ESPÉCIE DE ARTISTA ?” , o pelicano respondeu-lhe algo que não percebi. Nisto uma grande pedaço de pudim apareceu no meio da estrada, os meus olhos saíram das órbitas, ao mesmo tempo que exclamava ;“RAIOS, PORQUE DIABO ELES DEIXAM ESTAS MERDAS NO MEIO DA ESTRADA”, o réptil que se sentava na parte trás do nosso transport riu-se “Ahahah, estamos perto”.

Tentei desviar-me, mas carro guinou de forma impressionante, parecia um cavalo em fúria no calor da batalha. Vi o meu colega a ser engolido por um enorme sapo azul. Senti o meu corpo voar para a frente. A última coisa ouvi foi; “Obrigado pela boleia, cheguei ao meu destino”.

Levantei-me horas depois com uma ligeira dor de cabeça, olhei para o meu veiculo destruído. Virei me para o advogado e perguntei-lhe, “Como disse que se chamava aquele tipo ?”, ele retirou os óculos da cara - parecia que tinha passado por um mau bocado - dirigiu-se a mim e disse; “Não ouviste ? Ele disse que se chamava Salvador Dalí.”


Acordei.

O Ouvinte Pensante

Daymare





Transmissão

"..as aguas corriam...num caos organizado...um aniversariante, cautela...partiram em direcção...calma e depois silêncio..."